sábado, 29 de novembro de 2008

007 - Quantum of Solace


Quantum of Solace tem alguns pontos que jogam a seu favor e que fazem desta fase de Bond um dos seus períodos mais interessantes. Convenhamos que não é fácil para ninguém ver os anos passar sobre si - especialmente se os anos não passarem e continuarmos a ser um agente secreto em boa forma e permanentemente a perseguir e a ser perseguido. O agente pode não se cansar, mas nós sim. Bond tem por isso de se reinventar. Sempre teve. Por esse motivo somos expostos a panos de fundo sempre alternantes. Agora numa cidade cosmopolita, agora na Ásia, agora no gelo, para próxima na Rússia ou num destino paradisíaco. O mesmo acontece com os vilões, com os temas que se abordam ou - e esta é a melhor parte - com as Bond Girls. Bond sempre foi assim e nunca refilámos muito. O filão rendia, as Bond Girls encantavam-nos e, por muito que gostássemos de ser pretensiosos em cinema, lavar a vista de tempos a tempos com um filme de acção musculado, polido e clássico sabia bem a qualquer um. Casino Royale trouxe uma nova perpectiva sobre tudo isto. 007 havia caído no hábito havia algum tempo e esta era a altura da regeneração. Funcionou na perfeição em Casino Royale, com uma acção mais construída e com um Bond mais personagem e menos boneco, mais interessante e mais digno de ser acompanhado pelo nosso interesse, não apenas pela nossa necessidade de acção. Os gadgets mantiam-se, mas agora havia uma pessoa a usá-los.
A favor de Quantum of Solace joga a sequencialidade que traz de Casino Royale, prova do maior carácter que lhe atribuimos agora. O Bond de Craig em Quantum of Solace é o mesmo do seu anterior e ainda sofre por causa de Vesper. Até aqui estamos presos. Até no papel este parecia ser um 007 predisposto a ser mais uma passo na renovação da personagem. Realizado por Marc Foster - que tem principais cartões de visita Monster's Ball e O Menino de Cabul - e com argumento de Paul Haggis - Colisão - fazia-nos sonhar com algo mais coeso e mais trabalhado no sentido de Bond. Ao invés, Quantum of Solace aparece-nos como um 007 à antiga, pleno nas perseguições e nos planos de acção sequenciais. Um segue o outro e com isso se avança no filme. Há alguma estética e algum sentido da parte de Foster que é inegável - a cena da Tosca de Puccini e a amante barrada de petróleo são exemplos fáceis -, mas não chega a ser suficiente para fazer de Quantum of Solace um filme que se torne verdadeiramente interessante. A acção é rápida, bem filmada e até pode chegar a ser isso empolgante, mas nunca passa disso mesmo se não for consubstanciada por algo mais. Tudo isto é uma injustiça, claro está, para com tudo o que se passa de bom neste filme e para o Bond de Craig, cada vez mais um dos melhores de sempre. Mas Casino Royale fazia-nos ansiar por algo mais e Quantum of Solace não soube ser a sequela que desejámos.
Título: 007 - Quantum of Solace
Realizador: Marc Foster
Elenco: Daniel Craig, Mathieu Amalric e Judi Dench
E.U.A. e Reino Unido, 2008.
Nota: 6/10