
E, nesse sentido, Nação Hip-Hop 2008 é rico. Temos os nomes mais sonantes a fazer figura e cartaz para chamar os rappers, Mc's e wannabe's todos a comprar o àlbum. Temos os singles mais óbvios a fazer de chamariz para a colecção caseira de alguns jovens mais desatentos ao mercado mp3. Temos alguns nomes interessantes que se limitam, sem qualquer risco, a atirar ao cd também o seu trabalho mais conhecido para igualar as estrelas. Temos nomes mais desconhecidos do grande público cuja música acompanha todas as tendências sufocantes do género a nível mundial, com o Hip-Hop tipificado e sem uma palavra original a dizer.
Chega-se a não perceber a quem favorece este trabalho. Aos grandes artistas não será, porque as suas músicas são já sobejamente conhecidas, tocadas, repisadas e analisadas. A alguns menos conhecidos, percebe-se o factor exposição, mas o tiro pode, efectivamente, muitas vezes sair pela culatra. Colocar uma única música num trabalho deste género é tirá-lo, muito provavelmente, de um contexto ou conjectura que é o seu habitat natural e misturá-lo num conglomerado que se emiscue sem qualquer sentido aparente, podendo mesmo mascarar algum verdadeiro talento.
Posto isto, pouco se salva desta Nação Hip-Hop 2008. Existem grandes músicas, é verdade, sendo o maior exemplo disso, "À procura da perfeita repetição", do mestre Sam The Kid, completo ensaio na arte de bem compôr e de bem misturar. Mas nem isso, nem o Hip-Hop comercialista dos Da Weasel, nem o toque Reggae-Morangos dos Cool Hipnoise, nem a sensualidade à Gaye de Gutto, nem a brincadeira escondida de um artista maior que isso que é Valete explicam esta nação mal construída. Há mais, bem mais, Hip-Hop em Portugal do que isto.
Autor: Vários
Nota: 3/10
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