
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
Hedda Gabler

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
O Que Se Leva Desta Vida
"Tão presa aos sentidos é a vivência humana"Cinco Sentidos.
Olfacto. Audição. Visão. Tacto. Paladar.
Olfacto. Cheguei atrasada e sem jantar ao Teatro São Luiz, depois de uma hora a tentar estacionar o carro algures entre o Bairro Alto e o Chiado. Eram 21 e 25 e estava acordada desde as 6 da manhã. Atrasada, cansada, com sono, com fome e sem paciência. Entrei no Teatro e assola-me um cheiro diferente. Estavam a cozinhar! A escassos metros do meu desprevenido nariz, um palco transformado em cozinha. Uma azáfama, um restaurante, cozinheiros, empregados de mesa, gritos, vapor, um camera man de um lado para o lado. Dois chefs num brain-storming de gastronomia, palavrões, vida e paixões… a magicar um prato que soberbamente ficasse para a eternidade.
O que os meus olhos atentos podiam admirar era Gonçalo Waddington e Tiago Rodrigues, actores e personagens (ficção que se confunde com realidade) no meio de uma equipa de cozinheiros reais (ficção que se confunde com realidade). O Restaurante é o Cópia em Lisboa que surge de um projecto divergente depois de um estágio comum com o chefe Martin Berasategui e que, após caminhos diferentes a deambular pelo mundo da cozinha e da aprendizagem converge neste projecto de liberdade de criação dos dois cozinheiros. E a liberdade é o preço mais alto a pagar n'O Que Se Leva Desta Vida. Implica arriscar e sofrer.
No fundo, o que é a provocação se não o confronto destas dois pensamentos distintos, algures entre as origens e o futuro, em que o caminho se constrói no deleite do prazer de cada momento?
É isso que se leva desta peça… uma fusão dos 5 sentidos. Vontade de experimentar. No fundo trazemos para a vida, que nunca deixou de o ser, um pouco do Teatro. É quase instintivo. O mais importante é não viver dentro de uma caixa. Nem da vanguarda, nem do tradicionalismo. A meta é o prazer, e o prazer não é uma meta. É um caminho de momentos que se vai criando.
E quando saírem do Teatro, não se contentem com menos do que uma ceia única que vos aguce a imaginação, sem nunca deixar de sentir o real.
Porque se querem saber história, horário, preços, disponibilidade e ficha técnica têm sempre o site: http://www.teatrosaoluiz.pt/ (é absolutamente obrigatório ler as entrevistas), ou passem na Rua António Maria Cardoso, nº38. Tel: 213 257 640. E Sintam por vocês.
sábado, 14 de Novembro de 2009
Substitutos

domingo, 8 de Novembro de 2009
Maldito United

sábado, 24 de Outubro de 2009
Ifigénia na Taurida
Ifigénia na Táurida, a peça de Goethe em cena na Cornucópia até 1 de Novembro, é uma obra exemplar na forma como sintetiza a época em que é feita e, num âmbito diferente, a companhia que agora a reproduz. Do mais notório romantismo germânico chega-nos a história de Ifigénia, filha de Agamémnon e Clitemnestra, exilada na ilha de Táurida onde vive uma reclusão forçada pelo destino - o seu e o da sua família. É este mesmo destino que traz o seu irmão a esta ilha depois de ter morto a mãe para vingar o pai - posto nesta simplicidade, o caso parece a abertura de um telejornal, mas isso é apenas a prova de que a humanidade não mudou assim tanto nestes últimos milhares de anos. A história de Ifigénia, nas mãos de Goethe, torna-se um case-study do romantismo da altura e, mais, prova-nos como o casamento entre o classicismo e o romantismo, pelo menos no que à dramaturgia diz respeito, é simples e eficaz. Do romantismo, Goethe traz-nos a visão centralizada do mundo. Cada um chora as suas dores. Ifigénia chora a distância da pátria, Orestes chora a sua vergonha e o rei Toas, não chorando, lamenta-se de não possuir Ifigénia. A razão porque Grécia Antiga e romantismo se casam na perfeição torna-se óbvia. Ambos nos remetem para um universo de paixões dramáticas, de épicos amores fraternos, de assassinatos passionais e de emoções extremas. Não há comedimento nem contenção, a nível pessoal. Talvez por isso, aqui mais do que nunca, se misturem deuses, homem e destino.
Desenho de luz: Daniel Worm D’Assumpção
Elenco: Beatriz Batarda, José Manuel Mendes, Luis Miguel Cintra, Paulo Moura Lopes e Vítor de Andrade.
domingo, 11 de Outubro de 2009
Abraços Desfeitos

Assalto ao Metro 123

terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Caçadores de Vampiras Lésbicas

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Sacanas sem Lei

terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Séraphine

domingo, 27 de Setembro de 2009
Distrito 9

sábado, 26 de Setembro de 2009
Pânico em Hollywood

terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Inimigos Públicos

A razão porque o muitas vezes mal amado Michael Mann conseguiu fazer de Inimigos Públicos um filme razoavelmente interessante é simples. Teve mão para conseguir torná-lo num filme completo sem se perder em mangas para as quais não tem pano. Inimigos Públicos é um filme difícil porque aparenta ser fácil - há lá coisa mais fácil que um bom filme de gangsters à antiga - mas é fácil tropeçar na necessidade ritmíca do filme e embarcar numa sessão de espingardaria sem grande sentido em direcção a um final programático e heroíco - não era a primeira vez que veriamos algo semelhante, e se calhar nem o seria na cinematografia de Mann. Aparte da vida criminosa de Dillinger, onde chegaremos, Mann tem o desenrolar da perseguição pelos olhos do recente FBI ou a relação amorosa de Depp com Cottilard. E se ambos - relação amorosa do heroí e a visão dupla entre perseguido e perseguidor - é quase obrigatória no cânone, Mann tem numa delas grande parte do seu sucesso. A construção do FBI de Hoover, no que se mostra, no que se diz ou no que meramente se pressente, é do melhor de Inimigos Públicos.
Título: Inimigos Publicos
Realizador: Michael Mann
Nota: 6/10
segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Ponyo à Beira-Mar

sábado, 4 de Julho de 2009
Terra Interior

Aquilo que esperamos da Escola Superior de Teatro é que forme, como ensino superior que é. Da mesma forma que da Faculdade de Medicina esperamos os médicos com a melhor formação. Não só técnica, como humana. Não só que resolva os problemas actuais mas seja uma resposta à necessidade de novas abordagens. Que tenhas os conhecimentos teóricos de sempre e a vontade de os suplantar. Daí que um exercício final desta escola deva ser entendida não só como uma peça de teatro - que o é - mas também como a prova de que este é um ensino superior de excelência. Na formação de actores e de artistas. Terra Interior não é uma peça no sentido escolástico do termo mas a adaptação de um conjunto de textos de Peter Handke. A escolha de uma peça nestes termos é sempre um decisão arriscada. Por um lado, o risco de a adaptação resultar num exercício desigual e descozido aumenta em proporção à falta de fio condutor do texto. Por outro lado, é a opção ideal para fugir às constrições do hermetismo formal que a maior parte das peças contém e para criar um espectáculo verdadeiramente original. Um comentador mais astuto diria ser uma situação paradoxal.
Quantos aos formalismos de Terra Interior, as falhas são as que seriam de esperar - mas, mesmo assim, menos do que as que se costumam esperar - de uma colagem de textos que prefere não ter princípio, meio e fim. Torna-se desigual e, por vezes, perde-se o fio à meada. Mas, paradoxalmente - há astúcia no comentário, afinal -, esta ausência de princípio meio e fim serve o que se pretendia. Explora-se a palavra e o actor. As palavras de Handke ganham mais relevo porque são exploradas situação a situação e vivem de um contexto, não de um todo onde se perdem. E o actor trabalha-se mais na variedade. Torna-se mais díficil construir do nada do que construir uma personagem com textos e subtextos. Há menos personagem mas há mais actor. No trabalho físico, no desdobrar e na procura da entoação correcta. Qual é a entoação correcta de uma frase perdida no meio de um contexto que não existe? Não sabemos. Mas experimentamos. Terra Interior é, aparentemente, feita disso mesmo. De experiências. Do acumular de umas - enquanto actores - e do absorver de outras - enquanto alunos.
O melhor acontece quando o texto de Handke corre livre sem restrições - e nisso, bem como no entendimento do dueto texto-palco - a encenação de Cristina Carvalhal é belissima. A encenação serve o texto quando isso basta - e, na grande maioria das vezes, isso basta - e ocupa-se dos espaços mortos quando a ausência de peça se poderia fazer sentir - destaque para as luzes e para os in-betweens. Alguns dos melhores momentos nascem da criação de algo apartir do nada que tudo isto obriga - e o cariz social que se faz sentir um pouco por toda a peça é especialmente bem vincado nestes momentos. Há algo de lacónico - mas mesmo assim aberto ao nosso entendimento pessoal - na forma como os textos de Handke vêem a sociedade - e é isso que ele é acima de tudo, um crítico da sociedade. Não que ele critique directamente a sociedade mas a descrição episódica que nos proporciona direcciona-nos no sentido óbvio do julgamento social. Saudavelmente e sem posições doutrinárias. Handke apenas mostra, não explica. Terra Interior faz o mesmo. Mostra, não explica. Nas interpretações - positivamente, as interpretações devem ser e foram o que menos importa - um destaque para Emanuela Arada (na expressão fisica) e Tomé Quirino (na personagem). O problema do risco é este, às vezes corre bem.
domingo, 28 de Junho de 2009
35 mm #9 - O Caimão

Realizador: Nanni Moretti
Elenco: Silvio Orlando, Margherita Buy, Jasmine Trinca, Michele Placido, Nanni Moretti e Giuliano Montaldo.
Itália, França. 2006
sábado, 20 de Junho de 2009
Menina Else

Boa parte da beleza do teatro e da capacidade de nos prender vem da conversa em palco. Não da conversa no sentido textual da palavra, mas do diálogo entre os actores e da sua boa relação e reacção entre si. Daí que o monólogo seja arriscado. Se não houver conversão do texto em diálogo, a capacidade de prender o público perde-se. Em Menina Else, Rita Durão faz do texto de Schnitzler um diálogo constante. Ora connosco, ora com os intervenientes a sua história, mas na maioria do tempo consigo própria. O texto de Schnitzler é em si auto-suficiente e um prodígio como peça teatral, mas a interpretação de Rita Durão e a encenação de Christine Laurent dão o mote à exploração do essencial, a cabeça de Else. Else é uma jovem adolescente vienense que, enquanto de férias e afastada dos seus pais, se vê defrontada com a derrocada finaceira da sua família. Obrigada a pedir um empréstimo a um velho amigo da família, rapidamente aprende que tudo tem contrapartidas.
Há algo de estranhamente contemporâneo no texto de Schnitzler. Conjunturalmente, para começar. Na forma como uma jovem burguesa (e "burgueses somos nós todos", sentenciava Cesariny) se mostra fútil e despreocupada com tudo senão as suas férias e de repente desaba num mundo de dívidas e problemas familiares. Há algo de familiar com esta crise - não necessariamente com esta, mas com o sentimento de um crise que se abate. E depois, conjunturas aparte, há a modernidade do texto de Schnitzler que, do início do século XX parece conhecer melhor este século XXI do que a maioria que nele habita. É notório na proximidade do texto, na forma como o ritmo nos é agradável - com a devida contribuição de Laurent e Durão - e como nos revemos ou entendemos Else.
Menina Else é um texto construído de dentro para fora. Apartir da cabeça de Else. Aquilo que assistimos não é a história que é narrada, mas a forma como Else a viveu, a sua narração interior. Desta construção advêm várias consequências. Primeiro que o realismo da cena é subjugado à esquizofrenia inerente à mente de uma instável rapariga de 19 anos. O seu lado histriónico interior - aumentado ainda mais pela contenção exterior a que é obrigada - revela-se-nos totalmente. Vivemos assim a sua história, mais a parte de ser sua do que a parte da história. O que verdadeiramente interessa no texto de Schnitzler é esta capacidade de se meter na cabeça de outro, neste caso Else, e vivê-lo. Quem ganha com isto é Rita Durão. Um texto audaz e invulgarmente escrito que lhe permite viver a duplicidade de um rapariga de 19 anos. A contenção a vida exterior social e a explosão interior da cabeça de Else. O resultado de tudo isto é o diálogo. De Else consigo mesmo, com as suas dúvidas, inquietações e medos. Às vezes torna-se mais fácil falar sozinho.
Título: Menina Else
Autor: Arthur Schnitzler
Tradução: José Maria Vieira Mendes
Encenação: Christine Laurent
Elenco: Rita Durão
domingo, 31 de Maio de 2009
Autocarro 174

A Visita

quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Anjos e Demónios

segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Um Amor de Perdição

domingo, 17 de Maio de 2009
You & Me

segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Menina Júlia

Ao princípio, ansiamos com medo que um cenário tão composto se imponha sobre os actores, mas rapidamente descobrimos que, apesar de completo, está ali mais como paisagem do que suporte. É, no fundo, uma homenagem ao naturalismo - registo em que decorre a peça e ao qual se dedicou, até certa altura, August Stringberg. É naquela cozinha, situada simbolicamente a meio caminho dos quartos dos senhores e da festa dos empregados, que decorre toda a acção de Menina Júlia. Beatriz Batarda é a menina Júlia, acabada de romper o seu noivado, e que decide não acompanhar o pai numa viagem para participar na noite de S. João, a festa dos seus empregados. João, o criado de seu pai, e a sua noiva Cristina compõem o resto do elenco principal. O enredo desenrola-se apartir da oposição da vontade desenfreada e mimada de Júlia e a raiva mal contida de João. Torna-se difícil perceber quem manipula quem no jogo de sedução que se desenrola entre os dois e que, desde o princípio, tem contornos fatalistas. Nem sempre se torna claro é quem o personagem fatalmente caído em desgraça, por muito que pensemos que, em boa verdade, serão todos.
quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Almoço de 15 de Agosto

segunda-feira, 27 de Abril de 2009
A Mulher Sem Cabeça
